Palpitação no Coração: O Que Pode Ser e Quando Procurar Cardiologista
Você já sentiu o coração disparar de repente, como se fosse "pular" fora do peito? Se a resposta é sim, não está sozinho. Estima-se que até 16% das pessoas que procuram um pronto-socouro com queixas cardíacas apresentam palpitação no coração como principal sintoma. A boa notícia é que, na maioria dos casos, a causa é benigna. A má notícia? Nem sempre é — e saber a diferença pode literalmente salvar vidas.
Neste artigo, vamos explicar de forma clara e acessível o que são palpitações cardíacas, quais são suas causas mais comuns, quando elas representam um risco real e como o cardiologista pode investigar e tratar o problema.
O que é palpitação cardíaca?
Palpitação é a percepção consciente dos batimentos cardíacos. Em vez de o coração bater "em silêndio" — como acontece normalmente —, você passa a sentir cada batida, muitas vezes de forma incômoda. A sensação pode se manifestar de diferentes maneiras:
- Coração acelerado (taquicardia) — os batimentos ficam mais rápidos que o normal
- batimentos extras (extrassístoles) — uma sensação de "salto" ou "virada" no peito
- Coração "fibrilando" — uma vibração irregular e desordenada
- Sensação de "gargalada" ou de que o coração vai parar
É importante entender que sentir o coração bater não significa necessariamente que algo está errado. Pessoas saudáveis podem perceber seus batimentos em situações como exercício físico, emoção forte ou consumo excessivo de cafeína. O problema começa quando as palpitações são frequentes, prolongadas ou acompanhadas de outros sintomas.
Principais tipos de arritmia associados à palpitação
Nem toda palpitação é causada por uma arritmia, mas quando é, os tipos mais comuns incluem:
Extrassístoles (batimentos extras)
As extrassístoles são batimentos que surgem antes do momento esperado, criando uma pausa compensatória logo em seguida. É essa pausa que gera a sensação de "salto" ou "virada". Elas podem ser supraventriculares (origem acima dos ventrículos) ou ventriculares (origem nos ventrículos). Na grande maioria dos casos, são benignas e não exigem tratamento.
Taquicardia supraventricular (TSV)
A taquicardia supraventricular é um episódio súbito de coração acelerado, geralmente com frequência entre 150 e 250 batimentos por minuto. Começa e termina de repente, e pode durar de segundos a horas. Embora seja assustadora, geralmente não é perigosa em corações estruturalmente normais.
Fibrilação atrial
A fibrilação atrial é a arritmia sustentada mais comum no mundo. Nela, os átrios (câmaras superiores do coração) batem de forma caótica e desordenada, o que pode gerar palpitação, falta de ar e aumento do risco de AVC (derrame cerebral). Diferente das extrassístoles, a fibrilação atrial sempre merece investigação e acompanhamento médico.
Causas comuns de palpitação no coração
As palpitações podem ser desencadeadas por uma ampla variedade de fatores. Os mais frequentes incluem:
Causas relacionadas ao estilo de vida
- Cafeína — café, chá, refrigerantes e energéticos em excesso podem estimular o coração
- Álcool — o consumo excessivo, especialmente em episódios de "binge drinking", é um gatilho conhecido
- Estresse e ansiedade — o sistema nervoso simpático pode acelerar o coração e gerar extrassístoles
- Privação de sono — a falta de descanso aumenta a irritabilidade cardíaca
- Tabagismo e uso de drogas estimulantes
Causas clínicas
- Distúrbios da tireoide — o hipertireoidismo é uma causa frequentemente esquecida de palpitação
- Anemia — a redução de hemoglobina faz o coração trabalhar mais para compensar
- Desidratação e distúrbios eletrolíticos — alterações de potássio e magnésio afetam a condução cardíaca
- Febre — aumenta a frequência cardíaca em cerca de 10 bpm por grau de elevação
- Medicamentos — descongestionantes nasais, broncodilatadores e alguns psicoestimulantes podem causar palpitação
Causas cardíacas
- Arritmias primárias — alterações na condução elétrica do coração
- Doenças estruturais — valvulopatias, cardiomiopatias ou defeitos congênitos
- Doença arterial coronariana — pode se manifestar com palpitação, especialmente em idosos
- Insuficiência cardíaca — o coração debilitado pode gerar arritmias como compensação
Sinais de alerta: quando a palpitação é motivo de preocupação?
Aqui está o ponto crucial deste artigo. Nem toda palpitação exige uma avaliação cardiológica de emergência, mas certos sinais devem ser encarados como alertas vermelhos. Procure atendimento médico imediato se a palpitação vier acompanhada de:
- Desmaio (síncope) ou pré-síncope — sensação de desmaio iminente durante o episódio indica que o coração pode não estar bombendo sangue adequadamente para o cérebro
- Dor no peito — associada à palpitação, pode indicar isquemia cardíaca (falta de sangue no músculo do coração)
- Falta de ar intensa — especialmente se surgir de repente e em repouso
- Tontura severa ou sensação de "vai desmaiar"
- Histórico familiar de morte súbita — se alguém da sua família faleceu subitamente, especialmente em idade jovem, suas palpitações merecem investigação detalhada
- Palpitação muito prolongada — episódios que duram horas sem parar ou com frequência muito elevada
"O maior erro que vejo na prática clínica é o paciente normalizar palpitações frequentes achando que é 'coisa da cabeça'. Da mesma forma, nem toda palpitação é motivo de pânico. O papel do cardiologista é justamente fazer essa triagem." — Dr. Rui Faria
Quando a palpitação é benigna?
Em geral, as palpitações tendem a ser benignas quando:
- Ocorrem ocasionalmente, sem frequência crescente
- São desencadeadas por causas identificáveis (café, estresse, falta de sono)
- Não vêm acompanhadas de sintomas associados (desmaio, dor, falta de ar)
- O coração é estruturalmente normal (avaliado por ecocardiograma)
- O eletrocardiograma (ECG) de repouso é normal
- Não há histórico familiar de morte súbita ou cardiopatia hereditária
Mesmo nesses casos, se as palpitações estão impactando sua qualidade de vida, vale conversar com um cardiologista. Muitas vezes, apenas a orientação médica e a mudança de hábitos são suficientes para resolver o problema.
Como o cardiologista investiga a palpitação?
A avaliação cardiológica da palpitação segue um caminho lógico, do mais simples ao mais complexo:
1. Eletrocardiograma (ECG) de repouso
É o primeiro exame realizado. Registra a atividade elétrica do coração em poucos segundos. Se capturado durante um episódio de palpitação, pode identificar o tipo de arritmia. No entanto, como é um registro breve, muitas vezes o exame sai normal.
2. Holter 24 horas
O monitor Holter é um dispositivo portátil que registra continuamente os batimentos cardíacos por 24 a 48 horas. É especialmente útil para quem tem palpitações diárias, permitindo correlacionar os sintomas com o ritmo cardíaco real.
3. Monitor de eventos (event recorder)
Para palpitações menos frequentes, o monitor de eventos pode ser usado por semanas ou até meses. O paciente ativa o registro quando sente o sintoma, o que aumenta a chance de capturar a arritmia.
4. Ecocardiograma
O ecocardiograma avalia a estrutura e a função do coração. É fundamental para descartar causas estruturais de arritmia, como problemas nas válvulas, dilatação das câmaras cardíacas ou fraqueza do músculo cardíaco.
5. Teste ergométrico (teste de esforço)
Algumas arritmias surgem apenas durante o esforço físico. O teste ergométrico avalia o comportamento do coração durante o exercício, sendo útil tanto para diagnóstico quanto para avaliação de risco.
6. Estudo eletrofisiológico
Quando os exames não invasivos não são conclusivos, o estudo eletrofisiológico pode ser indicado. Trata-se de um procedimento minimamente invasivo, no qual cateteres são posicionados dentro do coração para mapear a atividade elétrica em detalhes. Além de diagnóstico, permite o tratamento definitivo de muitas arritmias por meio da ablação por cateter.
7. Exames laboratoriais
Exames de sangue para função da tireoide (TSH, T4 livre), hemograma (para avaliar anemia) e eletrólitos (potássio, magnésio) fazem parte da investigação básica e ajudam a identificar causas sistêmicas.
Tratamento: o que fazer com a palpitação?
O tratamento depende diretamente da causa identificada:
- Ajuste de hábitos — redução de cafeína, álcool, gerenciamento do estresse e melhoria do sono podem resolver a maioria dos casos benignos
- Tratamento da causa subjacente — correção do hipertireoidismo, reposição de ferro na anemia ou ajuste medicamentoso
- Medicamentos antiarrítmicos — indicados quando a arritmia é recorrente e impacta a qualidade de vida ou apresenta risco
- Ablação por cateter — procedimento com alta taxa de cura para arritmias como taquicardia supraventricular e fibrilação atrial selecionada
- Cardioversão elétrica — utilizada para restaurar o ritmo normal em arritmias como a fibrilação atrial
Palpitação na gravidez e em idosos
Grávidas frequentemente relatam palpitação no coração devido ao aumento do volume sanguíneo e das alterações hormonais. Na maioria dos casos, é fisiológica — mas deve ser avaliada, especialmente se houver cardiopatia prévia.
Em idosos, a palpitação merece atenção redobrada. A fibrilação atrial, por exemplo, é mais prevalência a partir dos 65 anos e aumenta significativamente o risco de AVC. Nessa faixa etária, a investigação deve ser sempre mais ampla.
Conclusão: não ignore, mas também não entre em pânico
A palpitação no coração é um dos sintomas mais comuns na prática cardiológica e, na grande maioria das vezes, tem causa benigna. No entanto, ignorar episódios frequentes ou associados a sintomas como desmaio, dor no peito ou histórico familiar de morte súbita pode ser um erro grave.
A avaliação cardiológica é simples, acessível e pode mudar completamente o desfecho do seu caso. Com exames como o Holter, o ecocardiograma e, quando necessário, o estudo eletrofisiológico, é possível identificar a causa com precisão e oferecer o tratamento adequado.
Se você sente palpitações frequentes, não espere que piorem. Agende uma avaliação com um cardiologista de confiança e tenha a tranquilidade de saber que seu coração está sendo acompanhado por quem entende do assunto.
Sente palpitação no coração? Não ignore.
Agende uma consulta com o Dr. Rui Faria, cardiologista com CRM-RN 5596 e RQE 2328. Atendimento humanizado e investigação completa para sua arritmia.
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